sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Das pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.

Cora Coralina

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Grandes mestres da literatura
















Descobri no programa Entrelinhas que a literatura este ano celebra duas datas marcantes: além do centenário da morte de Machado de Assis, comemoramos também o centenário de nascimento de João Guimarães Rosa.
Por uma incrível coincidência, no mesmo ano em que um mestre se despedia da vida, outro acabava de nascer. Enquanto um belíssimo e genial ciclo das nossas letras se encerrava, um outro, grandioso e fértil, se iniciava.
Poder celebrar num único ano dois dos maiores escritores de língua portuguesa, e universal, de todos os tempos me deixa arrepiada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis



LIVRO PRIMEIRO
No princípio era o Jardineiro. E o Jardineiro criou as Rosas. E tendo criado as Rosas, criou a chácara e o jardim, com todas as coisas que neles vivem para glória e contemplação das Rosas. Criou a palmeira, a grama. Criou as folhas, os galhos, os troncos e botões. Criou a terra e o estrume. Criou as árvores grandes para que amparassem o toldo azul que cobre o jardim e a chácara, e ele não caísse e esmagasse as Rosas. Criou as borboletas e os vermes. Criou o sol, as brisas, o orvalho e as chuvas. Grande é o Jardineiro! Suas longas pernas são feitas de tronco eterno. Os braços são galhos que nunca morrem; a espádua é como um forte muro por onde a erva trepa. As mãos, largas, espalham benefícios às Rosas. Vede agora mesmo. A noite voou, amanhã clareia o céu, cruzam-se as borboletas e os passarinhos, há uma chuva de pipilos e trinados no ar. Mas a terra estremece. É o pé do Jardineiro que caminha para as Rosas. Vede: traz nas mãos o regador que borrifa sobre as Rosas a água fresca e pura, e assim também sobre as outras plantas, todas criadas para glória das Rosas. Ele o formou no dia em que, tendo criado o sol, que dá vida às Rosas, este começou a arder sobre a terra. Ele o enche de água todas as manhãs, uma, duas, cinco, dez vezes. Para a noite, pôs ele no ar um grande regador invisível que peneira orvalho; e quando a terra seca e o calor abafa, enche o grande regador das chuvas que alagam a terra de água e de vida.

(Metafísica das Rosas)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Mergulho no sertão

Acabei de reler o romance Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa. O que me chamou a atenção nessa releitura foi a oralidade da narrativa, após poucas páginas eu já estava impregnada do modo de falar do sertanejo e lendo quase em voz alta. Esse mestre da nossa literatura não captou simplesmente as expressões, mas o ritmo peculiar que compõe a fala da gente dessa região.
E foi vendo e ouvindo o jagunço Riobaldo que eu mergulhei no sertão, viajei pelas veredas, chapadas, rios e riachos, entrei nas fazendas e me misturei ao bando que pelejava por esses caminhos com seu modo simples de ser e de viver. E acima de tudo, acompanhei o amor proibido do Tatarana pelo jagunço de belos olhos verdes, Diadorim, amor de gestos e de palavras, de proximidade e distância, profundo demais e que era para a vida inteira, mas que não se realizou.
Uma bela viagem ao longo de quase seiscentas páginas. Travessia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Despedida

Sempre acompanhei a carreira do Guga, vibrei com as vitórias e conquistas (e foram muitas!), me emocionei demais quando ele ganhou o tricampeonato em Roland Garros.
É uma pena vê-lo encerrando a carreira tão mais cedo do que gostaria, por causa dos problemas no quadril. Tive vontade de chorar junto com ele quando disse que não consegue mais jogar...
Mas é legal saber que são imagens como essa que ficarão mais fortes na memória. Valeu Guga!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Direitos do leitor

Encontrei esse "manifesto" no blog Sítio da Poesia e achei bem interessante.

Daniel Pennac
Como um romance, ASA, 1993

Direitos inalienáveis do leitor:
1) O direito de não ler.
2) O direito de saltar páginas.
3) O direito de não terminar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler qualquer coisa.
6) O direito de se refugiar nos romances (doença textualmente transmissível).
7) O direito de ler em qualquer lugar.
8) O direito de saltar de livro em livro.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de não falar do que se leu.

Com esta lista de direitos, Daniel Pennac reage contra o modo como a leitura era ensinada e imposta nas escolas: "têm de ler este livro porque sim, têm de ler estas 400 páginas em duas semanas..." Pennac recupera a noção de que a leitura deve ser um acto de prazer e reivindica a liberdade que temos para fazermos as nossas escolhas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Duas datas

Hoje eu comemoro duas datas especiais: a primeira é o aniversário do meu irmão. Ele é dois anos mais novo que eu, somos bastante diferentes, mas temos muitos gostos em comum, muitas afinidades. Conversamos muito, aprendemos um com o outro, somos muito companheiros. Hoje ele está em outra cidade, mas já liguei pra ele e desejei os parabéns.
A outra data especial é o aniversário de nove anos da minha formatura do curso de Letras, o encerramento com chave de ouro do período mais maravilhoso da minha vida. Éramos uma turma pequena, muito unida, com professores ao mesmo tempo camaradas e competentes. Foi uma época de saraus literários, de exercícios de escrita, de muita leitura e debates, todos aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. E principalmente uma época de grandes amizades, as mais especiais e profundas que conquistei na vida, um pouco distantes agora, mas guardadas com muito carinho na memória.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008