quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Notas sobre Capitu

- Adorei aquele cenário único que se transformava em vários ambientes: a casa, o jardim, o seminário, a rua, o teatro, até mesmo um navio. E as cores e panos e projeções davam um clima onírico, como se as coisas acontecessem na imaginação.
- Quando vi as chamadas achei o Bentinho casmurro um tanto patético e isso não me agradou. Mas quando comecei a assistir, percebi que tinha que ser assim, o clima, a estética, o estilo da narrativa exigiam que ele fosse mais patético e ridículo do que irônico e ácido.
- A trilha sonora era muitas vezes exagerada, mas a música que pontuava as cenas da Capitu e do Bentinho caiu como uma luva.
- Gostei muito da atriz que fez a Capitu menina, tinha uma força nos olhos, que são a grande fonte de expressão da personagem. E a Maria Fernanda Cândido deu sequência àqueles olhos de ressaca, parecia realmente que era a mesma pessoa.
- Uma coisa que eu não gostei foram aquelas fusões do Rio de Janeiro real e atual com o imaginário, essa quebra do clima onírico e meio abstrato me incomoda um pouco. Mas entendo que isso faz parte do estilo do diretor.
- Michel Melamed me deixou simplesmente encantada com seu Bentinho.
- Enfim, achei que o Luis Fernando Carvalho se apropriou do clássico de Machado de Assis, capturou a sua essência e o transformou em uma inesquecível obra visual, belíssima (José Dias) homenagem no centenário do bruxo do Cosme Velho.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Por pouco

O Felipe Massa cruzou a linha de chegada como campeão. Mas alguns segundos depois o Hamilton passou o Glock, ganhou a posição que precisava e ficou com o título.
Os dois construíram a possibilidade de título ao longo do ano, brilhando ou enfrentando adversidades. E a vantagem do Hamilton parecia que já deixava tudo praticamente definido, mesmo com o Felipe vencendo a corrida. Mas o imponderável veio encher de emoção a decisão do campeonato.
Torci muito pelo Felipe, fiquei com o coração na boca naquelas últimas curvas. Mas acho que o título ficou em boas mãos.
E já estou começando a contagem regressiva para o ano que vem, que promete ser mais disputado ainda, porque do jeito que as coisas vão se configurando, o Alonso vai estar na briga. E ele é uma pedreira.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O poema

Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida...

Mário Quintana

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Viver

Fim dos tempos. Ahasverus, sentado em uma rocha, fita longamente o horizonte, onde passam duas águias cruzando-se. Medita, depois sonha. Vai declinando o dia.
Ahasverus — Chego à cláusula dos tempos; este é o limiar da eternidade. A terra está deserta; nenhum outro homem respira o ar da vida. Sou o último; posso morrer. Morrer! Deliciosa idéia! Séculos de séculos vivi, cansado, mortificado, andando sempre, mas ei-los que acabam e vou morrer com eles. Velha natureza, adeus! Céu azul, imenso céu for aberto para que desçam os espíritos da vida nova, terra inimiga, que me não comeste os ossos, adeus! O errante não errará mais. Deus me perdoará, se quiser, mas a morte consola-me. Aquela montanha é áspera como a minha dor; aquelas águias, que ali passam, devem ser famintas como o meu desespero. Morrereis também, águias divinas?

(Machado de Assis)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sete

O Sete é um dos personagens do livro O resto é silêncio, do Érico Veríssimo, que eu acabei de ler.
Ele é um menino de onze anos, vendedor de jornais, filho de uma família muito pobre. No começo da história, o Sete está no meio de uma multidão alvoroçada com a morte de uma moça que se jogara da janela de um prédio. Na confusão, o menino leva um esbarrão e perde as moedas que tinha ganho com a venda dos jornais naquele dia. Quando chega em casa, à noite, ninguém acredita na história da suicida e ele leva uma bronca. No dia seguinte, ele tem a idéia de agradar a mãe com uma flor e essa idéia não sai da sua cabeça.
Duas das cenas que mais me comoveram no livro estão relacionadas a esse fato: dentro do bonde, o Sete vende jornais e se gaba de ter comprado uma linda rosa vermelha para a mãe - na verdade ele a roubara de um jardim. Ao saltar do bonde em movimento, tentando fazer uma das saídas espetaculares de que tanto se orgulhava, ele é atropelado e morre instantaneamente. A alguns passos do corpo inerte, na calçada, jazia a rosa vermelha. Mais tarde, quando a noite já ia alta, a mãe, depois de ter passado de zangada a aflita, perambula pelo brejo, nos arredores de casa, com um toco de vela na mão, procurando pelo filho...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Poema

O menino saiu
E não mais voltou
De tardezinha
Fizera um gol
Sua paixão
O futebol
Hoje ele mora
Perto do sol

10/02/2007

domingo, 31 de agosto de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

CAPÍTULO CXCVIII
— AO vencedor, as batatas! exclamou Rubião quando deu com os olhos na rua, sem noite, sem água, beijada do sol.

(Machado de Assis, Quincas Borba)

sábado, 23 de agosto de 2008

As amarelinhas

Em Atenas-2004 elas foram chamadas de amarelonas, depois de perderem a semifinal praticamente ganha após aquele famoso placar de 24 a 19. Apelido injusto, apesar da decepção.
Em Pequim-2008, depois de um período de batalha e amadurecimento, elas começaram impecáveis, arrasadoras, vencendo todos os jogos por 3 a 0. E chegaram às semifinais rondadas por aquele fantasma, mas passaram pela China com certa tranquilidade.
A final começou com um primeiro set fácil, sossegado. Já no segundo, pelo nervosismo da decisão, elas se atrapalharam um pouco e as americanas venceram. O terceiro foi um verdadeiro passeio. E o quarto foi equilibrado até o final, porque decisão sem emoção também não vale. Vinte quatro a vinte e um e... Vitória!
Dessa vez, sim, elas podem ser chamadas de amarelas. Orgulhosamente amarelas de ouro. Amarelinhas do Brasil!

domingo, 3 de agosto de 2008

Tremenda injustiça

Hoje os deuses do esporte cometeram uma das maiores injustiças que vi no automobilismo: depois de fazer uma largada fantástica, deixando Kovalainen e Hamilton para trás, disparando na frente, vendo Hamilton ter um pneu furado e perder posições, o Felipe Massa teve seu motor Ferrari estourado a três voltas do final da corrida e não terminou a prova.
Só mais um pouquinho e suas lágrimas poderiam ter sido de alegria...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

CAPÍTULO I
Do Título


Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
– Continue, disse eu acordando.
– Já acabei, murmurou ele.
– São muito bonitos.
Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.”
Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.

(Machado de Assis, Dom Casmurro)

domingo, 20 de julho de 2008

Brasileiros no pódio

Contando com muita sorte, uma boa estratégia e bastante concentração, finalmente o Nelsinho conseguiu subir ao pódio, mostrando que é um bom piloto e se tiver um bom carro poderá realmente ser competitivo.
E foi muito bom ver dois brasileiros no pódio, apesar de o Felipe Massa ter ficado em terceiro e deixado o Hamilton escapar um pouquinho na classificação do campeonato com a vitória. Por outro lado, ele abriu uma vantagem para o Kimi que pode ser decisiva quando chegar a hora da definição de primeiro e segundo pilotos na Ferrari.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

Circulando a energia

Dizem que mudanças, mesmo as menores, fazem circular as energias ao nosso redor. Por isso, lá vai uma pequena mudança nas cores do blog.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

8 de abril

Papel, amigo papel, não recolhas tudo o que escrever esta pena vadia. Querendo servir-me, acabarás desservindo-me, porque se acontecer que eu me vá desta vida, sem tempo de te reduzir a cinzas, os que me lerem depois da missa de sétimo dia, ou antes, ou ainda antes do enterro, podem cuidar que te confio cuidados de amor.
Não, papel. Quando sentires que insisto nessa nota, esquiva-te da minha mesa, e foge. A janela aberta te mostrará um pouco de telhado, entre a rua e o céu, e ali ou acolá acharás descanso. Comigo, o mais que podes achar é esquecimento, que é muito, mas não é tudo; primeiro que ele chegue, virá a troça dos malévolos ou simplesmente vadios.
Escuta, papel. O que naquela dama Fidélia me atrai é principalmente certa feição de espírito, algo parecida com o sorriso fugitivo, que já lhe vi algumas vezes. Quero estudá-la se tiver ocasião. Tempo sobra-me, mas tu sabes que é ainda pouco para mim mesmo, para o meu criado José, e para ti, se tenho vagar e quê — e pouco mais.

(Machado de Assis, Memorial de Aires)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Alguma coisa me dizia...

Que hoje era o dia do Kubica na Fórmula 1. E justamente na pista em que ele sofreu um acidente espetacular no ano passado.
E alguma coisa me dizia também que o Hamilton ia fazer alguma besteira. E que acabou sendo maior que as duas que lhe custaram o campeonato do ano passado, uma batida no Kimi na saída dos boxes, que tirou os dois da prova.
A situação só não foi melhor para o Massa porque ele não conseguiu uma boa colocação, mas marcou pontinhos preciosos. Mesmo com o Kubica vencendo e assumindo a liderança, é improvável que ele seja um adversário mais duro pelo título.
Enfim, foi uma ótima corrida, com uma bela ultrapassagem do Felipe, com o Rubinho marcando mais alguns pontinhos e com essa vitória do Kubica, que eu já admiro há algum tempo e que já estava merecendo subir no lugar mais alto do pódio.

sábado, 31 de maio de 2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Ao Leitor

Que, no alto do principal de seus livros, confessasse Stendhal havê-lo escrito para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Stern, de um Lamb ou de um de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia; e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; e ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.
Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o meio eficaz para isto é fugir a um prólogo explícito e longo. O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.

Brás Cubas

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

domingo, 18 de maio de 2008

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 4 de maio de 2008

Polaróides Urbanas

Acabei de assistir Polaróides Urbanas, do Miguel Falabella. Gostei do filme, mas saí do cinema com uma ponta de frustração. Eu esperava dar boas gargalhadas com uma comédia escrachada, no estilo do Toma lá Dá cá, mas trata-se na verdade de uma tragicomédia, que encontra situações engraçadas nas pequenas tragédias cotidianas de um grupo de mulheres, e das pessoas que giram em torno delas, cujas vidas são entrelaçadas por algum elemento em comum.
O filme me agradou, mas ao mesmo tempo me deixou com uma sensação de desconforto. Acho que a palavra certa para o que ele me provocou é estranhamento.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Livros e flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor.

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

Machado de Assis

quinta-feira, 17 de abril de 2008

quinta-feira, 10 de abril de 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008

sexta-feira, 28 de março de 2008

Poema

Da janela vejo a praça
Toda envolta pelo céu
Sobre um banco alguém descansa
Pondo versos num papel

06/08/2007

terça-feira, 25 de março de 2008

quinta-feira, 20 de março de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Parecer sobre a comédia AO ENTRAR NA SOCIEDADE, em um ato, de Luiz C. P. Guimarães Júnior.

Julgo no caso de ser aprovada a comédia do Sr. Guimarães Júnior, Ao entrar na sociedade.
Mostra o Sr. Guimarães Júnior vocação e facilidade para o gênero. Sem dúvida ressente-se a sua composição da incerteza de um estreante; o estilo nem sempre é igual, falta às vezes movimento e vida; mas esses defeitos irão desaparecendo, à proporção que o autor se for amestrando.
O que não se pode contestar é que é um moço de talento e merece por esse título o aplauso e a animação.

Rio, 12 de março de 1864

Machado de Assis

domingo, 16 de março de 2008

Que pecado!

O Rubinho esteve praticamente o tempo todo na zona de pontuação na corrida da Austrália, domou bravamente o carro ruim que tinha nas mãos, foi vítima de uma lambança da equipe, sofreu uma punição, mas chegou a sentir o gostinho de marcar três pontos, depois de ter ficado o ano passado inteiro sem marcar. Só que acabou desclassificado da prova por ter saído dos boxes com a luz vermelha acesa.

sábado, 15 de março de 2008

Um ano de blog

Há um ano comecei a cultivar este espaço, colocando nele minhas impressões sobre vários assuntos, meus poemas e os poemas e textos dos meus autores preferidos. Tem sido muito divertido exercitar a minha escrita, escolher os textos mais interessantes, cuidar do meu cantinho. Mas o mais gostoso é receber visitas, conhecer pessoas, trocar idéias e, principalmente, fazer amigos.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Palpite e torcida

O campeonato de Fórmula 1 começa no fim de semana e eu resolvi registrar o meu palpite pra comparar com o resultado final, em outubro.
As coisas não vão fugir muito de uma disputa entre Ferrari e McLaren. Apesar do Raikkonen começar como maior favorito por ser o atual campeão, acho que o título vai para o Hamilton, que não vai deixar escapar de novo a oportunidade, ainda mais agora que, provavelmente, ele vai ser o número um da equipe. O Felipe Massa vai ter que trabalhar duro para enfrentar seu companheiro e o Kovalainen é praticamente uma incógnita nesse momento.
Mas como palpite é uma coisa e torcida é outra, a minha ficará dividida entre o Felipe Massa e o Hamilton, que está um pouco enjoadinho, mas continua simpático.
Também vou torcer para que o Nelsinho marque seus pontos e mostre competência, além de conseguir conviver em paz com o Alonso. Pelo menos nesse primeiro ano é melhor ficar na dele e não arrumar confusão, depois, com seu talento comprovado, aí ele pode ir pra briga.
Outra coisa que desejo é que a Honda consiga desenvolver um carro decente para que o Rubinho não passe em branco de novo, talvez ele não seja um piloto maravilhoso, mas é competente e merece respeito.
Além de tudo isso, também seria muito legal ver o Vettel aprontando alguma com o carro da Toro Rosso. Adoro quando pilotos de equipes pequenas fazem coisas inesperadas e chamam a atenção.
E espero que nenhum escândalo estúpido venha manchar a temporada, que promete mais uma vez ser muito disputada.

terça-feira, 11 de março de 2008

O homem duplicado

Acabei de ler o romance O homem duplicado, do José Saramago. O livro despertou minha curiosidade desde que li algumas resenhas sobre ele quando foi lançado e só agora surgiu a oportunidade de desbravá-lo. E à medida que ia lendo fui descobrindo que era muito melhor do que eu esperava.
Trata-se da história do professor Tertuliano Máximo Afonso, que levava uma vida comum até descobrir em um filme o seu duplo, um sósia perfeito. A partir daí ele começa a bancar o detetive, numa busca cheia de peripécias para encontrar esse homem.
A narrativa é saborosíssima, cheia de ironia e sarcasmo, tecida por um narrador muito bem humorado, que conversa com o leitor e o provoca o tempo todo, construindo uma trama que nos obriga a devorar as páginas quase que de um fôlego só.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Raios de sol

Levantou-se ao amanhecer, bem cedo, para colher flores. O jardim era intensamente florido, mas as mais caras eram as margaridas. Apanhou-as delicadamente, sete, e ajeitou-as em um vaso, que colocou sobre a mesa. Depois sentou-se ao piano e, com mãos leves, pôs-se a tocar. E as notas suaves pairaram no ar.
Isso foi há muito tempo, mas ainda hoje consigo vê-la e ouví-la, todos os dias, aos primeiros raios de sol.

28/01/2008

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Das pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.

Cora Coralina

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Grandes mestres da literatura
















Descobri no programa Entrelinhas que a literatura este ano celebra duas datas marcantes: além do centenário da morte de Machado de Assis, comemoramos também o centenário de nascimento de João Guimarães Rosa.
Por uma incrível coincidência, no mesmo ano em que um mestre se despedia da vida, outro acabava de nascer. Enquanto um belíssimo e genial ciclo das nossas letras se encerrava, um outro, grandioso e fértil, se iniciava.
Poder celebrar num único ano dois dos maiores escritores de língua portuguesa, e universal, de todos os tempos me deixa arrepiada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis



LIVRO PRIMEIRO
No princípio era o Jardineiro. E o Jardineiro criou as Rosas. E tendo criado as Rosas, criou a chácara e o jardim, com todas as coisas que neles vivem para glória e contemplação das Rosas. Criou a palmeira, a grama. Criou as folhas, os galhos, os troncos e botões. Criou a terra e o estrume. Criou as árvores grandes para que amparassem o toldo azul que cobre o jardim e a chácara, e ele não caísse e esmagasse as Rosas. Criou as borboletas e os vermes. Criou o sol, as brisas, o orvalho e as chuvas. Grande é o Jardineiro! Suas longas pernas são feitas de tronco eterno. Os braços são galhos que nunca morrem; a espádua é como um forte muro por onde a erva trepa. As mãos, largas, espalham benefícios às Rosas. Vede agora mesmo. A noite voou, amanhã clareia o céu, cruzam-se as borboletas e os passarinhos, há uma chuva de pipilos e trinados no ar. Mas a terra estremece. É o pé do Jardineiro que caminha para as Rosas. Vede: traz nas mãos o regador que borrifa sobre as Rosas a água fresca e pura, e assim também sobre as outras plantas, todas criadas para glória das Rosas. Ele o formou no dia em que, tendo criado o sol, que dá vida às Rosas, este começou a arder sobre a terra. Ele o enche de água todas as manhãs, uma, duas, cinco, dez vezes. Para a noite, pôs ele no ar um grande regador invisível que peneira orvalho; e quando a terra seca e o calor abafa, enche o grande regador das chuvas que alagam a terra de água e de vida.

(Metafísica das Rosas)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Mergulho no sertão

Acabei de reler o romance Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa. O que me chamou a atenção nessa releitura foi a oralidade da narrativa, após poucas páginas eu já estava impregnada do modo de falar do sertanejo e lendo quase em voz alta. Esse mestre da nossa literatura não captou simplesmente as expressões, mas o ritmo peculiar que compõe a fala da gente dessa região.
E foi vendo e ouvindo o jagunço Riobaldo que eu mergulhei no sertão, viajei pelas veredas, chapadas, rios e riachos, entrei nas fazendas e me misturei ao bando que pelejava por esses caminhos com seu modo simples de ser e de viver. E acima de tudo, acompanhei o amor proibido do Tatarana pelo jagunço de belos olhos verdes, Diadorim, amor de gestos e de palavras, de proximidade e distância, profundo demais e que era para a vida inteira, mas que não se realizou.
Uma bela viagem ao longo de quase seiscentas páginas. Travessia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Despedida

Sempre acompanhei a carreira do Guga, vibrei com as vitórias e conquistas (e foram muitas!), me emocionei demais quando ele ganhou o tricampeonato em Roland Garros.
É uma pena vê-lo encerrando a carreira tão mais cedo do que gostaria, por causa dos problemas no quadril. Tive vontade de chorar junto com ele quando disse que não consegue mais jogar...
Mas é legal saber que são imagens como essa que ficarão mais fortes na memória. Valeu Guga!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Direitos do leitor

Encontrei esse "manifesto" no blog Sítio da Poesia e achei bem interessante.

Daniel Pennac
Como um romance, ASA, 1993

Direitos inalienáveis do leitor:
1) O direito de não ler.
2) O direito de saltar páginas.
3) O direito de não terminar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler qualquer coisa.
6) O direito de se refugiar nos romances (doença textualmente transmissível).
7) O direito de ler em qualquer lugar.
8) O direito de saltar de livro em livro.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de não falar do que se leu.

Com esta lista de direitos, Daniel Pennac reage contra o modo como a leitura era ensinada e imposta nas escolas: "têm de ler este livro porque sim, têm de ler estas 400 páginas em duas semanas..." Pennac recupera a noção de que a leitura deve ser um acto de prazer e reivindica a liberdade que temos para fazermos as nossas escolhas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Duas datas

Hoje eu comemoro duas datas especiais: a primeira é o aniversário do meu irmão. Ele é dois anos mais novo que eu, somos bastante diferentes, mas temos muitos gostos em comum, muitas afinidades. Conversamos muito, aprendemos um com o outro, somos muito companheiros. Hoje ele está em outra cidade, mas já liguei pra ele e desejei os parabéns.
A outra data especial é o aniversário de nove anos da minha formatura do curso de Letras, o encerramento com chave de ouro do período mais maravilhoso da minha vida. Éramos uma turma pequena, muito unida, com professores ao mesmo tempo camaradas e competentes. Foi uma época de saraus literários, de exercícios de escrita, de muita leitura e debates, todos aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. E principalmente uma época de grandes amizades, as mais especiais e profundas que conquistei na vida, um pouco distantes agora, mas guardadas com muito carinho na memória.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Poema

As palavras escapam
Por entre meus dedos
Derramam-se fartas
Revelam segredos.

18/10/2007

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Em setembro de 2008 vamos comemorar o centenário da morte de Machado de Assis. As homenagens já estão a todo vapor.

Círculo vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:

"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...

Machado de Assis

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Faz tanta falta assim?

O ano em que meus pais saíram de férias não vai concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. É um filme maravilhoso, me conquistou desde que li as primeiras críticas e comentários. Ele se passa em 1970 e conta a história do menino Mauro, cujos pais são militantes políticos em plena ditadura e precisam "sair de férias" por uns tempos para fugir da repressão. O menino é praticamente adotado pela comunidade judaica do bairro Bom Retiro e ali vai descobrir sobre tolerência e amizade, vai torcer pela seleção brasileira na Copa do Mundo do México, vai intuir sobre o momento político que o país vive, enfim, vai começar a crescer.
É um filme imperdível, de alta qualidade e por isso eu me pergunto: deixar de concorrer ao Oscar faz tanta falta assim? É ótimo conquistar prêmios, a estatueta traz prestígio e dá uma turbinada no marketing, mas não serve como a maior, ou única, medida para a qualidade de um filme, ou ator, ou diretor.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Degustação

Há algum tempo comecei a colocar em prática uma ótima maneira de degustar poemas: copiá-los à mão. Vou juntando os poemas que mais me encantam, achados em livros e na internet, que sempre leio e releio. Mas é quando me sento com calma e os copio para meu caderno que consigo perceber e desfrutar melhor o sentido e o sabor das palavras. Depois disso, cada releitura se torna mais especial e prazerosa. Desde que comecei, já reuni uma pequena, mas saborosa, coleção de poemas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Hai-Kai





Esse hai-kai é do Millôr Fernandes. Com a ilustração fica muito mais divertido.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Um sonho

Sonhei com a primeira etapa do campeonato de Fórmula 1. Eu era ao mesmo tempo platéia e piloto.
Havia mais quatro equipes compondo o grid. Nelsinho conseguiu uma ótima posição de largada, segundo ou terceiro, mas foi ultrapassado por vários carros logo na primeira curva. Felipe Massa abandonou a prova por causa de um pneu estourado. David Coulthard dava entrevista com cara de moleque. Schumacher também estava por lá. Apenas dez carros completaram a prova, houve muitos abandonos.
Juan Pablo Montoya venceu a corrida, seguido por mim, que me chamava Pola Galland e Marc Gene completou o pódio. O sonho terminou com a pergunta: algum desses três vai estar na luta pelo título na última etapa do campeonato?