
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Notas sobre Capitu
- Adorei aquele cenário único que se transformava em vários ambientes: a casa, o jardim, o seminário, a rua, o teatro, até mesmo um navio. E as cores e panos e projeções davam um clima onírico, como se as coisas acontecessem na imaginação.
- Quando vi as chamadas achei o Bentinho casmurro um tanto patético e isso não me agradou. Mas quando comecei a assistir, percebi que tinha que ser assim, o clima, a estética, o estilo da narrativa exigiam que ele fosse mais patético e ridículo do que irônico e ácido.
- A trilha sonora era muitas vezes exagerada, mas a música que pontuava as cenas da Capitu e do Bentinho caiu como uma luva.
- Gostei muito da atriz que fez a Capitu menina, tinha uma força nos olhos, que são a grande fonte de expressão da personagem. E a Maria Fernanda Cândido deu sequência àqueles olhos de ressaca, parecia realmente que era a mesma pessoa.
- Uma coisa que eu não gostei foram aquelas fusões do Rio de Janeiro real e atual com o imaginário, essa quebra do clima onírico e meio abstrato me incomoda um pouco. Mas entendo que isso faz parte do estilo do diretor.
- Michel Melamed me deixou simplesmente encantada com seu Bentinho.
- Enfim, achei que o Luis Fernando Carvalho se apropriou do clássico de Machado de Assis, capturou a sua essência e o transformou em uma inesquecível obra visual, belíssima (José Dias) homenagem no centenário do bruxo do Cosme Velho.