quarta-feira, 30 de julho de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

CAPÍTULO I
Do Título


Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
– Continue, disse eu acordando.
– Já acabei, murmurou ele.
– São muito bonitos.
Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.”
Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.

(Machado de Assis, Dom Casmurro)

domingo, 20 de julho de 2008

Brasileiros no pódio

Contando com muita sorte, uma boa estratégia e bastante concentração, finalmente o Nelsinho conseguiu subir ao pódio, mostrando que é um bom piloto e se tiver um bom carro poderá realmente ser competitivo.
E foi muito bom ver dois brasileiros no pódio, apesar de o Felipe Massa ter ficado em terceiro e deixado o Hamilton escapar um pouquinho na classificação do campeonato com a vitória. Por outro lado, ele abriu uma vantagem para o Kimi que pode ser decisiva quando chegar a hora da definição de primeiro e segundo pilotos na Ferrari.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

Circulando a energia

Dizem que mudanças, mesmo as menores, fazem circular as energias ao nosso redor. Por isso, lá vai uma pequena mudança nas cores do blog.