quarta-feira, 25 de junho de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

8 de abril

Papel, amigo papel, não recolhas tudo o que escrever esta pena vadia. Querendo servir-me, acabarás desservindo-me, porque se acontecer que eu me vá desta vida, sem tempo de te reduzir a cinzas, os que me lerem depois da missa de sétimo dia, ou antes, ou ainda antes do enterro, podem cuidar que te confio cuidados de amor.
Não, papel. Quando sentires que insisto nessa nota, esquiva-te da minha mesa, e foge. A janela aberta te mostrará um pouco de telhado, entre a rua e o céu, e ali ou acolá acharás descanso. Comigo, o mais que podes achar é esquecimento, que é muito, mas não é tudo; primeiro que ele chegue, virá a troça dos malévolos ou simplesmente vadios.
Escuta, papel. O que naquela dama Fidélia me atrai é principalmente certa feição de espírito, algo parecida com o sorriso fugitivo, que já lhe vi algumas vezes. Quero estudá-la se tiver ocasião. Tempo sobra-me, mas tu sabes que é ainda pouco para mim mesmo, para o meu criado José, e para ti, se tenho vagar e quê — e pouco mais.

(Machado de Assis, Memorial de Aires)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Alguma coisa me dizia...

Que hoje era o dia do Kubica na Fórmula 1. E justamente na pista em que ele sofreu um acidente espetacular no ano passado.
E alguma coisa me dizia também que o Hamilton ia fazer alguma besteira. E que acabou sendo maior que as duas que lhe custaram o campeonato do ano passado, uma batida no Kimi na saída dos boxes, que tirou os dois da prova.
A situação só não foi melhor para o Massa porque ele não conseguiu uma boa colocação, mas marcou pontinhos preciosos. Mesmo com o Kubica vencendo e assumindo a liderança, é improvável que ele seja um adversário mais duro pelo título.
Enfim, foi uma ótima corrida, com uma bela ultrapassagem do Felipe, com o Rubinho marcando mais alguns pontinhos e com essa vitória do Kubica, que eu já admiro há algum tempo e que já estava merecendo subir no lugar mais alto do pódio.

sábado, 31 de maio de 2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Ao Leitor

Que, no alto do principal de seus livros, confessasse Stendhal havê-lo escrito para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Stern, de um Lamb ou de um de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia; e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; e ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.
Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o meio eficaz para isto é fugir a um prólogo explícito e longo. O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.

Brás Cubas

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

domingo, 18 de maio de 2008

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 4 de maio de 2008

Polaróides Urbanas

Acabei de assistir Polaróides Urbanas, do Miguel Falabella. Gostei do filme, mas saí do cinema com uma ponta de frustração. Eu esperava dar boas gargalhadas com uma comédia escrachada, no estilo do Toma lá Dá cá, mas trata-se na verdade de uma tragicomédia, que encontra situações engraçadas nas pequenas tragédias cotidianas de um grupo de mulheres, e das pessoas que giram em torno delas, cujas vidas são entrelaçadas por algum elemento em comum.
O filme me agradou, mas ao mesmo tempo me deixou com uma sensação de desconforto. Acho que a palavra certa para o que ele me provocou é estranhamento.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Livros e flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor.

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

Machado de Assis

quinta-feira, 17 de abril de 2008

quinta-feira, 10 de abril de 2008