A coluna de hoje do Rubem Alves na Folha me fez retomar uma reflexão sobre a posição da Igreja Católica em relação a alguns assuntos. Ele escreveu sobre a declaração do papa de que o segundo casamento é uma praga, destacando que não só o segundo, mas o primeiro e qualquer um, já que para a Igreja o casamento é acima de tudo um contrato de direitos e deveres entre os noivos, e que sacramento significa o selo eclesial que valida uma relação entre homem e mulher.
Concordo com ele, pois parece que cada vez mais a Igreja se transforma numa severa legisladora, ao invés de ser a orientadora de uma prática espiritual que se reflita na vida cotidiana dando sentido às nossas escolhas, condutas e ações, de maneira a proporcionar um bem-estar individual e coletivo.
Continuo vendo o casamento acima de tudo como celebração, no sentido de um momento de festa que marca algum acontecimento importante. É logico que o amor acontece realmente no dia-a-dia, na maneira como as pessoas se relacionam, mas acho legal parar por um momento e olhar para essa vivência de um jeito especial, daí a celebração, o sacramento. Mais do que um contrato sujeito a penalidades se for rompido, um compromisso, sujeito à falibilidade humana, claro, mas norteado pela idéia de valorização dos laços, ao contrário da banalização e superficialidade que parecem cada vez mais tomar conta das relações em todas as esferas da vida.
A postura da Igreja deveria se basear mais em trabalhar a nossa responsabilidade por nossos atos e suas consequências, do que em insistir na idéia de culpa e castigo.
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