O Sete é um dos personagens do livro O resto é silêncio, do Érico Veríssimo, que eu acabei de ler.
Ele é um menino de onze anos, vendedor de jornais, filho de uma família muito pobre. No começo da história, o Sete está no meio de uma multidão alvoroçada com a morte de uma moça que se jogara da janela de um prédio. Na confusão, o menino leva um esbarrão e perde as moedas que tinha ganho com a venda dos jornais naquele dia. Quando chega em casa, à noite, ninguém acredita na história da suicida e ele leva uma bronca. No dia seguinte, ele tem a idéia de agradar a mãe com uma flor e essa idéia não sai da sua cabeça.
Duas das cenas que mais me comoveram no livro estão relacionadas a esse fato: dentro do bonde, o Sete vende jornais e se gaba de ter comprado uma linda rosa vermelha para a mãe - na verdade ele a roubara de um jardim. Ao saltar do bonde em movimento, tentando fazer uma das saídas espetaculares de que tanto se orgulhava, ele é atropelado e morre instantaneamente. A alguns passos do corpo inerte, na calçada, jazia a rosa vermelha. Mais tarde, quando a noite já ia alta, a mãe, depois de ter passado de zangada a aflita, perambula pelo brejo, nos arredores de casa, com um toco de vela na mão, procurando pelo filho...
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