segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Viver

Fim dos tempos. Ahasverus, sentado em uma rocha, fita longamente o horizonte, onde passam duas águias cruzando-se. Medita, depois sonha. Vai declinando o dia.
Ahasverus — Chego à cláusula dos tempos; este é o limiar da eternidade. A terra está deserta; nenhum outro homem respira o ar da vida. Sou o último; posso morrer. Morrer! Deliciosa idéia! Séculos de séculos vivi, cansado, mortificado, andando sempre, mas ei-los que acabam e vou morrer com eles. Velha natureza, adeus! Céu azul, imenso céu for aberto para que desçam os espíritos da vida nova, terra inimiga, que me não comeste os ossos, adeus! O errante não errará mais. Deus me perdoará, se quiser, mas a morte consola-me. Aquela montanha é áspera como a minha dor; aquelas águias, que ali passam, devem ser famintas como o meu desespero. Morrereis também, águias divinas?

(Machado de Assis)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sete

O Sete é um dos personagens do livro O resto é silêncio, do Érico Veríssimo, que eu acabei de ler.
Ele é um menino de onze anos, vendedor de jornais, filho de uma família muito pobre. No começo da história, o Sete está no meio de uma multidão alvoroçada com a morte de uma moça que se jogara da janela de um prédio. Na confusão, o menino leva um esbarrão e perde as moedas que tinha ganho com a venda dos jornais naquele dia. Quando chega em casa, à noite, ninguém acredita na história da suicida e ele leva uma bronca. No dia seguinte, ele tem a idéia de agradar a mãe com uma flor e essa idéia não sai da sua cabeça.
Duas das cenas que mais me comoveram no livro estão relacionadas a esse fato: dentro do bonde, o Sete vende jornais e se gaba de ter comprado uma linda rosa vermelha para a mãe - na verdade ele a roubara de um jardim. Ao saltar do bonde em movimento, tentando fazer uma das saídas espetaculares de que tanto se orgulhava, ele é atropelado e morre instantaneamente. A alguns passos do corpo inerte, na calçada, jazia a rosa vermelha. Mais tarde, quando a noite já ia alta, a mãe, depois de ter passado de zangada a aflita, perambula pelo brejo, nos arredores de casa, com um toco de vela na mão, procurando pelo filho...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Poema

O menino saiu
E não mais voltou
De tardezinha
Fizera um gol
Sua paixão
O futebol
Hoje ele mora
Perto do sol

10/02/2007

domingo, 31 de agosto de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

CAPÍTULO CXCVIII
— AO vencedor, as batatas! exclamou Rubião quando deu com os olhos na rua, sem noite, sem água, beijada do sol.

(Machado de Assis, Quincas Borba)

sábado, 23 de agosto de 2008

As amarelinhas

Em Atenas-2004 elas foram chamadas de amarelonas, depois de perderem a semifinal praticamente ganha após aquele famoso placar de 24 a 19. Apelido injusto, apesar da decepção.
Em Pequim-2008, depois de um período de batalha e amadurecimento, elas começaram impecáveis, arrasadoras, vencendo todos os jogos por 3 a 0. E chegaram às semifinais rondadas por aquele fantasma, mas passaram pela China com certa tranquilidade.
A final começou com um primeiro set fácil, sossegado. Já no segundo, pelo nervosismo da decisão, elas se atrapalharam um pouco e as americanas venceram. O terceiro foi um verdadeiro passeio. E o quarto foi equilibrado até o final, porque decisão sem emoção também não vale. Vinte quatro a vinte e um e... Vitória!
Dessa vez, sim, elas podem ser chamadas de amarelas. Orgulhosamente amarelas de ouro. Amarelinhas do Brasil!

domingo, 3 de agosto de 2008

Tremenda injustiça

Hoje os deuses do esporte cometeram uma das maiores injustiças que vi no automobilismo: depois de fazer uma largada fantástica, deixando Kovalainen e Hamilton para trás, disparando na frente, vendo Hamilton ter um pneu furado e perder posições, o Felipe Massa teve seu motor Ferrari estourado a três voltas do final da corrida e não terminou a prova.
Só mais um pouquinho e suas lágrimas poderiam ter sido de alegria...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

CAPÍTULO I
Do Título


Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
– Continue, disse eu acordando.
– Já acabei, murmurou ele.
– São muito bonitos.
Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.”
Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.

(Machado de Assis, Dom Casmurro)

domingo, 20 de julho de 2008

Brasileiros no pódio

Contando com muita sorte, uma boa estratégia e bastante concentração, finalmente o Nelsinho conseguiu subir ao pódio, mostrando que é um bom piloto e se tiver um bom carro poderá realmente ser competitivo.
E foi muito bom ver dois brasileiros no pódio, apesar de o Felipe Massa ter ficado em terceiro e deixado o Hamilton escapar um pouquinho na classificação do campeonato com a vitória. Por outro lado, ele abriu uma vantagem para o Kimi que pode ser decisiva quando chegar a hora da definição de primeiro e segundo pilotos na Ferrari.

quinta-feira, 17 de julho de 2008