segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Satolep

Há alguns dias estou mergulhada em Satolep, do escritor e compositor Vitor Ramil. É um livro que reúne dois temas que eu adoro: literatura e fotografia.
Ao completar trinta anos, o narrador volta a Satolep, sua cidade natal, de onde saiu há muitos anos, para uma espécie de acerto de contas com seu passado. Olhando profundamente para dentro de si a partir do lugar onde estão suas raízes, ele busca através de imagens e palavras organizar e traduzir seus sentimentos sobre sua família, sobre sua cidade, sobre si mesmo.
Um livro fascinante e absorvente, que eu ainda nem terminei, mas que já entrou para minha lista de livros favoritos de todos os tempos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Aceita o universo...

Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos -
Haja.

Alberto Caeiro

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Notas sobre Capitu

- Adorei aquele cenário único que se transformava em vários ambientes: a casa, o jardim, o seminário, a rua, o teatro, até mesmo um navio. E as cores e panos e projeções davam um clima onírico, como se as coisas acontecessem na imaginação.
- Quando vi as chamadas achei o Bentinho casmurro um tanto patético e isso não me agradou. Mas quando comecei a assistir, percebi que tinha que ser assim, o clima, a estética, o estilo da narrativa exigiam que ele fosse mais patético e ridículo do que irônico e ácido.
- A trilha sonora era muitas vezes exagerada, mas a música que pontuava as cenas da Capitu e do Bentinho caiu como uma luva.
- Gostei muito da atriz que fez a Capitu menina, tinha uma força nos olhos, que são a grande fonte de expressão da personagem. E a Maria Fernanda Cândido deu sequência àqueles olhos de ressaca, parecia realmente que era a mesma pessoa.
- Uma coisa que eu não gostei foram aquelas fusões do Rio de Janeiro real e atual com o imaginário, essa quebra do clima onírico e meio abstrato me incomoda um pouco. Mas entendo que isso faz parte do estilo do diretor.
- Michel Melamed me deixou simplesmente encantada com seu Bentinho.
- Enfim, achei que o Luis Fernando Carvalho se apropriou do clássico de Machado de Assis, capturou a sua essência e o transformou em uma inesquecível obra visual, belíssima (José Dias) homenagem no centenário do bruxo do Cosme Velho.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Por pouco

O Felipe Massa cruzou a linha de chegada como campeão. Mas alguns segundos depois o Hamilton passou o Glock, ganhou a posição que precisava e ficou com o título.
Os dois construíram a possibilidade de título ao longo do ano, brilhando ou enfrentando adversidades. E a vantagem do Hamilton parecia que já deixava tudo praticamente definido, mesmo com o Felipe vencendo a corrida. Mas o imponderável veio encher de emoção a decisão do campeonato.
Torci muito pelo Felipe, fiquei com o coração na boca naquelas últimas curvas. Mas acho que o título ficou em boas mãos.
E já estou começando a contagem regressiva para o ano que vem, que promete ser mais disputado ainda, porque do jeito que as coisas vão se configurando, o Alonso vai estar na briga. E ele é uma pedreira.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O poema

Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida...

Mário Quintana

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis

Viver

Fim dos tempos. Ahasverus, sentado em uma rocha, fita longamente o horizonte, onde passam duas águias cruzando-se. Medita, depois sonha. Vai declinando o dia.
Ahasverus — Chego à cláusula dos tempos; este é o limiar da eternidade. A terra está deserta; nenhum outro homem respira o ar da vida. Sou o último; posso morrer. Morrer! Deliciosa idéia! Séculos de séculos vivi, cansado, mortificado, andando sempre, mas ei-los que acabam e vou morrer com eles. Velha natureza, adeus! Céu azul, imenso céu for aberto para que desçam os espíritos da vida nova, terra inimiga, que me não comeste os ossos, adeus! O errante não errará mais. Deus me perdoará, se quiser, mas a morte consola-me. Aquela montanha é áspera como a minha dor; aquelas águias, que ali passam, devem ser famintas como o meu desespero. Morrereis também, águias divinas?

(Machado de Assis)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sete

O Sete é um dos personagens do livro O resto é silêncio, do Érico Veríssimo, que eu acabei de ler.
Ele é um menino de onze anos, vendedor de jornais, filho de uma família muito pobre. No começo da história, o Sete está no meio de uma multidão alvoroçada com a morte de uma moça que se jogara da janela de um prédio. Na confusão, o menino leva um esbarrão e perde as moedas que tinha ganho com a venda dos jornais naquele dia. Quando chega em casa, à noite, ninguém acredita na história da suicida e ele leva uma bronca. No dia seguinte, ele tem a idéia de agradar a mãe com uma flor e essa idéia não sai da sua cabeça.
Duas das cenas que mais me comoveram no livro estão relacionadas a esse fato: dentro do bonde, o Sete vende jornais e se gaba de ter comprado uma linda rosa vermelha para a mãe - na verdade ele a roubara de um jardim. Ao saltar do bonde em movimento, tentando fazer uma das saídas espetaculares de que tanto se orgulhava, ele é atropelado e morre instantaneamente. A alguns passos do corpo inerte, na calçada, jazia a rosa vermelha. Mais tarde, quando a noite já ia alta, a mãe, depois de ter passado de zangada a aflita, perambula pelo brejo, nos arredores de casa, com um toco de vela na mão, procurando pelo filho...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008